MILAGRES (II)
O que pode atualmente
ser considerado um Milagre?
Trata-se sem dúvida de um fato excepcional que viola qualquer regra conhecida e admitida.
E aqui, várias teorias coexistem, se completando ou se opondo. Considerando o que chamamos de empirismo moderno: o filósofo e economista escocês David Hume escreveu “que nenhum depoimento é suficiente para estabelecer um milagre, a menos que o depoimento seja tal que a sua falsidade seria ainda mais milagrosa do que o fato que ele tenta estabelecer!”.
Trata-se sem dúvida de um fato excepcional que viola qualquer regra conhecida e admitida.
E aqui, várias teorias coexistem, se completando ou se opondo. Considerando o que chamamos de empirismo moderno: o filósofo e economista escocês David Hume escreveu “que nenhum depoimento é suficiente para estabelecer um milagre, a menos que o depoimento seja tal que a sua falsidade seria ainda mais milagrosa do que o fato que ele tenta estabelecer!”.
O que sabemos, de
fato, sobre os Milagres?
Que os milagres possam ser deixados ao simples critério de um Deus ou que o ser humano possa estar na origem da sua própria e extraordinária transformação física e psíquica, não é o verdadeiro problema. Aceito com alegria tudo aquilo que vem para melhorar ou até mesmo transformar a vida de todos os seres humanos que sofrem.
Vou tomar como exemplo os milagres observados em Lourdes. Desde 1854, 69 curas inexplicáveis foram finalmente reconhecidas como milagrosas pela Igreja Católica. É muito? É pouco? Não sei dizer. O que é certo é que o número, agrupado por períodos, diminui constantemente: vários “Milagres” nos primeiros anos e praticamente nenhum em trinta anos. Existiria ou não outra razão além dessa: várias doenças consideradas incuráveis há um século podem, sem dúvida, ser tratadas hoje em dia. Os progressos da ciência explicariam hoje o que anteriormente era atribuído à fé?
Que os milagres possam ser deixados ao simples critério de um Deus ou que o ser humano possa estar na origem da sua própria e extraordinária transformação física e psíquica, não é o verdadeiro problema. Aceito com alegria tudo aquilo que vem para melhorar ou até mesmo transformar a vida de todos os seres humanos que sofrem.
Vou tomar como exemplo os milagres observados em Lourdes. Desde 1854, 69 curas inexplicáveis foram finalmente reconhecidas como milagrosas pela Igreja Católica. É muito? É pouco? Não sei dizer. O que é certo é que o número, agrupado por períodos, diminui constantemente: vários “Milagres” nos primeiros anos e praticamente nenhum em trinta anos. Existiria ou não outra razão além dessa: várias doenças consideradas incuráveis há um século podem, sem dúvida, ser tratadas hoje em dia. Os progressos da ciência explicariam hoje o que anteriormente era atribuído à fé?
Pensamos imediatamente nos estigmas: essas feridas que
nunca cicatrizam e que reproduzem o martírio de Cristo, com as mãos
representando as perfurações causadas pelos pregos da crucificação, os pés e as
laterais do dorso.
Encontramo-nos assim diante de objetos portadores de sinais cristãos bem misteriosos: estátuas que sangram, que choram, etc.
Em seguida, há os fenômenos de levitação: no século XVII, Joseph de Cupertino diz que o “monge voador” chegava frequentemente à sua igreja voando, às vezes a alguns centímetros do solo, ora a até um metro de altitude. Essas manifestações aconteceram diante de várias testemunhas, dentre as quais, embaixadores.
Muitas vezes, também evocamos os fenômenos de êxtase, essa espécie de comunicação com o além da qual um religioso pode participar. Padre Pio, o monge de San Giovanni Rotondo, na Itália, no que ele mesmo chamou de “noite obscura”, é um bom exemplo deste fenômeno. Há muito tempo eu me interesso fortemente pelo Padre Pio, uma espécie de “clandestino” em prodígios cristãos (não critico, de forma alguma, pois tenho profunda admiração por esse homem): além dos estigmas, ele era capaz (fato comprovado) de estar em dois ou três lugares ao mesmo tempo. Ele se expressava facilmente em várias línguas que nunca havia aprendido (xenoglossia); ele também possuía o dom da profecia: assim, ele encontrou o futuro papa João Paulo II, no ano de 1947, em Cracóvia, na Polônia, e declarou, após o encontro, que aquele padre subiria um dia no trono de Pedro.
Para fechar este capítulo, vou te falar um pouco sobre o que pode ser considerado, na minha humilde opinião, o mais extraordinário “Milagre” de domínio religioso que conheço: a túnica de Guadalupe.
Alguns conhecem a história, mas aqueles que acreditam saber conhecem apenas uma parte.
No dia 12 de dezembro de 1531, um índio asteca, convertido ao cristianismo e batizado como Juan Diego pediu para encontrar o Bispo da Cidade do México. Ele disse que a Virgem Maria o havia encarregado de uma mensagem.
A princípio, o bispo quis mandá-lo embora, mas parou diante do buquê de rosas carregado pelo índio. Eram rosas magníficas que, normalmente, não crescem no inverno. A Virgem pedia a construção de uma capela na colina de Tepeyac. O bispo estava perplexo: este lugar era um antigo lugar sagrado indígena, dedicado à deusa asteca Tonantzin (como você pode ver, não existe uma verdadeira fronteira ideológica). O bispo observa então a “túnica” de Juan Diego: em um fundo de estrelas, ela representa a Virgem Maria!
Trata-se de uma roupa de pobre, em fio de sisal extremamente frágil Detalho a história para chegar ao mais surpreendente. Esta túnica está exposta na Basílica de Guadalupe, há mais de cinco séculos, sem ter aparentemente sofrido danos em função do tempo. Nem a luz, nem a poluição parecem alterar o tecido cuja vida útil normal não costuma ultrapassar os vinte anos. Muito surpreendente: esta imagem da Virgem não é uma pintura; os seus pigmentos não são minerais, vegetais, nem animais. Para dizer a verdade, não sabemos o que são. Mas o mais extraordinário vem a seguir. Muito recentemente, vários pesquisadores europeus examinaram a túnica de perto. Eu te disse há pouco, aqui, que a Virgem era reproduzida em um fundo de estrelas. Verificou-se que estas estrelas reproduziam exatamente a disposição dos astros, tal como a abóbada celeste se apresentava ao observador humano no dia 12 de dezembro de 1531! Como se a Virgem estivesse virada para o Oeste no momento em que a túnica de Juan Diego “foi impressa” bruscamente por esta visão!
Confira a seguir algumas manifestações paranormais de natureza religiosa.
Como você vê, não contesto a natureza milagrosa (inexplicável, fora as leis conhecidas Da Natureza) de vários fatos de caráter religioso. O que contexto, é que essa espécie de exclusividade que os fiéis (ou melhor, as próprias igrejas) se auto atribuem.
Sabemos hoje que as curas espontâneas ocorrem sem a necessidade de invocar uma conexão “divina”: sabemos que em mais de 1.600 casos de remissão espontânea contabilizadas entre 1976 e 2006 (30 anos), 70% estão relacionados com um câncer ou uma doença grave. Assim, acontece de nos curarmos sem termos que viajar até Fatima ou Medjugorje (mas certamente e uma vez mais não vou contestar as curas espontâneas após uma estadia em um desses lugares religiosos e consagrados do planeta); contento-me em não associar automaticamente uma causa e um efeito.
O que contesto, eu repito, é o monopólio, espécie de ordem natural, que parece ter sido concedido a certas religiões elevadas à “Grande Ordem do Milagre”. Por outro lado, é preciso salientar que este não é o caso de todas as religiões ou filosofias monoteístas: a religião judaica considera que o mundo criado por Deus em seis dias, sendo perfeito, não precisa de milagres. E se por um acaso existir o Milagre, ele já estava previsto previamente! A religião muçulmana, por sua vez, embora não negue a possibilidade, parece-me extremamente cautelosa quanto ao assunto.
Encontramo-nos assim diante de objetos portadores de sinais cristãos bem misteriosos: estátuas que sangram, que choram, etc.
Em seguida, há os fenômenos de levitação: no século XVII, Joseph de Cupertino diz que o “monge voador” chegava frequentemente à sua igreja voando, às vezes a alguns centímetros do solo, ora a até um metro de altitude. Essas manifestações aconteceram diante de várias testemunhas, dentre as quais, embaixadores.
Muitas vezes, também evocamos os fenômenos de êxtase, essa espécie de comunicação com o além da qual um religioso pode participar. Padre Pio, o monge de San Giovanni Rotondo, na Itália, no que ele mesmo chamou de “noite obscura”, é um bom exemplo deste fenômeno. Há muito tempo eu me interesso fortemente pelo Padre Pio, uma espécie de “clandestino” em prodígios cristãos (não critico, de forma alguma, pois tenho profunda admiração por esse homem): além dos estigmas, ele era capaz (fato comprovado) de estar em dois ou três lugares ao mesmo tempo. Ele se expressava facilmente em várias línguas que nunca havia aprendido (xenoglossia); ele também possuía o dom da profecia: assim, ele encontrou o futuro papa João Paulo II, no ano de 1947, em Cracóvia, na Polônia, e declarou, após o encontro, que aquele padre subiria um dia no trono de Pedro.
Para fechar este capítulo, vou te falar um pouco sobre o que pode ser considerado, na minha humilde opinião, o mais extraordinário “Milagre” de domínio religioso que conheço: a túnica de Guadalupe.
Alguns conhecem a história, mas aqueles que acreditam saber conhecem apenas uma parte.
No dia 12 de dezembro de 1531, um índio asteca, convertido ao cristianismo e batizado como Juan Diego pediu para encontrar o Bispo da Cidade do México. Ele disse que a Virgem Maria o havia encarregado de uma mensagem.
A princípio, o bispo quis mandá-lo embora, mas parou diante do buquê de rosas carregado pelo índio. Eram rosas magníficas que, normalmente, não crescem no inverno. A Virgem pedia a construção de uma capela na colina de Tepeyac. O bispo estava perplexo: este lugar era um antigo lugar sagrado indígena, dedicado à deusa asteca Tonantzin (como você pode ver, não existe uma verdadeira fronteira ideológica). O bispo observa então a “túnica” de Juan Diego: em um fundo de estrelas, ela representa a Virgem Maria!
Trata-se de uma roupa de pobre, em fio de sisal extremamente frágil Detalho a história para chegar ao mais surpreendente. Esta túnica está exposta na Basílica de Guadalupe, há mais de cinco séculos, sem ter aparentemente sofrido danos em função do tempo. Nem a luz, nem a poluição parecem alterar o tecido cuja vida útil normal não costuma ultrapassar os vinte anos. Muito surpreendente: esta imagem da Virgem não é uma pintura; os seus pigmentos não são minerais, vegetais, nem animais. Para dizer a verdade, não sabemos o que são. Mas o mais extraordinário vem a seguir. Muito recentemente, vários pesquisadores europeus examinaram a túnica de perto. Eu te disse há pouco, aqui, que a Virgem era reproduzida em um fundo de estrelas. Verificou-se que estas estrelas reproduziam exatamente a disposição dos astros, tal como a abóbada celeste se apresentava ao observador humano no dia 12 de dezembro de 1531! Como se a Virgem estivesse virada para o Oeste no momento em que a túnica de Juan Diego “foi impressa” bruscamente por esta visão!
Confira a seguir algumas manifestações paranormais de natureza religiosa.
Como você vê, não contesto a natureza milagrosa (inexplicável, fora as leis conhecidas Da Natureza) de vários fatos de caráter religioso. O que contexto, é que essa espécie de exclusividade que os fiéis (ou melhor, as próprias igrejas) se auto atribuem.
Sabemos hoje que as curas espontâneas ocorrem sem a necessidade de invocar uma conexão “divina”: sabemos que em mais de 1.600 casos de remissão espontânea contabilizadas entre 1976 e 2006 (30 anos), 70% estão relacionados com um câncer ou uma doença grave. Assim, acontece de nos curarmos sem termos que viajar até Fatima ou Medjugorje (mas certamente e uma vez mais não vou contestar as curas espontâneas após uma estadia em um desses lugares religiosos e consagrados do planeta); contento-me em não associar automaticamente uma causa e um efeito.
O que contesto, eu repito, é o monopólio, espécie de ordem natural, que parece ter sido concedido a certas religiões elevadas à “Grande Ordem do Milagre”. Por outro lado, é preciso salientar que este não é o caso de todas as religiões ou filosofias monoteístas: a religião judaica considera que o mundo criado por Deus em seis dias, sendo perfeito, não precisa de milagres. E se por um acaso existir o Milagre, ele já estava previsto previamente! A religião muçulmana, por sua vez, embora não negue a possibilidade, parece-me extremamente cautelosa quanto ao assunto.
Neste ponto, sou tentado a me perguntar: o Milagre não
poderia ser definido simplesmente como “um fato paranormal de caráter, às
vezes, religioso”? – (P/AViS- `
Primavera de 1979 – Livre p/publicação em Inverno de
2015) – Alfredopam. – Continua).