domingo, 28 de junho de 2015

MILAGRES (I)



MILAGRES  (I)


O que pode atualmente ser considerado um Milagre?

Trata-se sem dúvida de um fato excepcional que viola qualquer regra conhecida e admitida.

E aqui, várias teorias coexistem, se completando ou se opondo. Considerando o que chamamos de empirismo moderno: o filósofo e economista escocês David Hume escreveu “que nenhum depoimento é suficiente para estabelecer um milagre, a menos que o depoimento seja tal que a sua falsidade seria ainda mais milagrosa do que o fato que ele tenta estabelecer!”.

Outras interpretações deixam coexistir eventos misteriosos, frequentemente reconhecidos como de inspiração divina, e outros fatos que a razão se encarrega de demonstrar.

Nos dias de hoje os especialistas em cálculos de probabilidades também se interessam pelos “Milagres”. A teoria matemática permite calcular se um evento, que nos parece extraordinário e contrário a qualquer normalidade, realmente o é. Dessa forma, pode-se demonstrar que tal evento não é estatisticamente tão excepcional quanto queremos acreditar.

Pessoalmente, tenho tendência a pensar que essas diferentes abordagens têm um ponto em comum: elas parecem admitir como ponto de partida que uma manifestação incomum, à qual atribuímos o qualificativo de “Milagre”, tem provavelmente uma origem extra-humana. Na mente da maioria das pessoas, uma “entidade divina” não seria certamente estranha a tal manifestação. Mas essa é a opinião geralmente expressa, que não prova nada.

E se o próprio homem fizesse os Milagres?

Por que ninguém parece ter considerado que o próprio homem poderia perfeitamente ser o iniciador dos “Milagres” cujo caráter forçosamente “religioso” (ou seja, divino) é celebrado, principalmente, na Europa, em Fátima, Portugal; em Lourdes, França; em Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina; e em outros lugares de menor reputação.

Claramente, não levamos suficientemente em conta o que, no entanto, sabemos acerca da influência da mente sobre o corpo em um processo de cura. Trocando em miúdos: sabemos que um paciente vai se curar mais facilmente de uma doença grave se seu ânimo estiver mais alto do que baixo.

Sabemos também que a administração, neste mesmo paciente, de substâncias que não possuam nenhuma virtude terapêutica (efeito placebo) pode intervir de forma bastante favorável, para não dizer “Milagrosa” na cura, em proporções variáveis (em função das doenças). Isso não apenas é aceito, como provado. A relação existente entre o paciente e o seu médico também é importante: sabemos que o fato de acreditar na cura trata efetivamente a hipertensão arterial (ela faz a pressão baixar em 90% dos casos!). É preciso destacar, entretanto, que o seu efeito dura menos tempo em comparação com o medicamento adequado.

Tudo isso me leva a fazer uma pergunta (que me toca como Ameríndio): não poderíamos considerar também como “Milagres” o fato de certos Rituais realizados no seio da comunidade Ameríndia, à qual pertenço, igualmente possuírem características tão incríveis?

Eles levam as pessoas que deles se beneficiam a verem suas vidas se transformarem de modo inexplicável: encontros facilitados, acesso a uma tranquilidade material que nada, absolutamente nada, poderia prever até então?

Fui testemunha de eventos extraordinários que não quero e nem posso revelar aqui sob o risco de passar por um iludido!

No entanto, eles me permitem duvidar fortemente dos méritos das regras impostas por muitos membros da comunidade científica: para saber se um evento muito estranho merece ou não ser objeto de extensas pesquisas é necessário que ele possa ser reproduzido à vontade no laboratório!

Esta exigência, ou melhor, este dogma é estúpido, uma vez que o seu primeiro e único resultado consiste em descartar de qualquer pesquisa tudo aquilo que não atenda às regras mecanicistas materialistas cujos fundamentos foram estabelecidos nos séculos XVII e XVIII. Qualquer fator humano parece assim ser sistematicamente descartado. Constatei que alguns fatos surpreendentes por mim presenciados tiveram relação, sem sombra de dúvida, com o meu estado de estresse ou de concentração mental e ao uso de Rituais apropriados, tendo, portanto, pouquíssimas chances de um dia serem reproduzidos à vontade em um laboratório: mas eu fazia parte da experiência e, portanto, estava desqualificado para falar dela!

Que fique bem entendido, para estes espíritos amantes do rigor, um “Milagre” somente pode, a rigor, ser considerado se a sua natureza for religiosa. Conciliar o exercício da ciência e aquele da fé não é contraditório para vários cientistas, mas continua sendo para outros. Veja então o tempo que as autoridades religiosas e médicas levaram para reconhecer a existência da natureza milagrosa de uma cura “Milagrosa” em Lourdes, na França! Às vezes, décadas!

Neste ponto, sou tentado a me perguntar: o Milagre não poderia ser definido simplesmente como “um fato paranormal de caráter, às vezes, religioso”? – (P/AViS- `
Primavera de 1979 – Livre p/publicação em Inverno de 2015) – Alfredopam. – Continua).

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