25- O Futuro da Ética.
Introdução.
A ética, no futuro, não virá mais
impulsionada pela religião ou pela moral, mas pelas questões de sobrevivência e
autopreservação. Tomamos consciência de que precisamos uns dos outros, como
náufragos em um mesmo barco, e que a credibilidade de nossas ações está
passando o tempo todo por uma avaliação de nós mesmos, em relação ao outro que
nos observa e influencia nossas vidas, como influenciamos a dele (Big Brother).
Teremos então, a ética da sobrevivência que vindo pela via de um compromisso
com o individuo trará reflexos positivos na coletividade, transformando o ser
humano de individualista em comunitário. Isto tentará superar a desgraça de
um eu centrado em si, por um eu em união com o outro tentando organizar melhor
o que é de todos.
Quando falamos em futuro da ética, é
bom lembrar que no início destas Considerações Iniciais falamos da situação
atual e dissemos: “Somos de opinião que viver dentro da sociedade atual é ao
mesmo tempo desconcertante e desafiador.”
A ideia de ser desconcertante e desafiador nos leva, de
imediato, a pensar em um estado de crise. A crise vai tomando corpo ao passo em
que o mundo vai se encolhendo através dos meios de comunicação. A falta de
espaço gera maiores atritos e em consequência os conflitos vão se tornando cada
vez mais graves.
Como já vimos, a inteligência exige cada vez
mais conhecimento e o conhecimento gera poder e o exercício do poder exige
maior preparação daquele que exerce a
autoridade ou a liderança. Assim, a atuação da ética vai tomando maior vulto em
todas as áreas da atividade humana.
Ao passo que o homem adquire mais
conhecimento, cresce também o seu desejo de liberdade. A vivência em liberdade
exige maior racionalidade ou inteligência prática, uma vez que é impossível
prever e normatizar todos os fatos novos que a vida, a ciência e a tecnologia
propiciam. Nessas condições, impulsionados pelo sentimento de liberdade
acabamos ocupando mais espaço e o planeta vai se tornando cada vez mais
reduzido para o homem. Estas novas ocupações de espaço fazem com que a vida vá
se tornando também mais competitiva e assim os princípios éticos se tornam mais
preciosos.
Uma Ética Mundial.
Estas colocações nos levam a pensar
que no futuro a ética deverá ganhar uma grande importância para a humanidade.
Pois ela deverá contribuir para minimizar atritos que vão surgindo em todas as
áreas da atividade humana.
Sabemos que a idéia de uma ética
mundial está ganhando espaço entre alguns intelectuais, filósofos, teólogos e
pensadores. Tudo indica que no futuro a humanidade deverá obedecer regras
mundiais como se vivesse num jogo de futebol.
Quando pensei nessas coisas pela
primeira vez, lá pelos anos 60, elas me pareciam tão absurdas que eu não tinha
nem coragem de dizê-las aos meus ouvintes. Hoje, no entanto, a nova geração de
filósofos e teólogos fala disso abertamente e até dão entrevistas e fazem
conferências sobre o assunto. Também as pessoas ouvem com naturalidade e as
contestações são muito raras e sem expressão.
Para mim o projeto está ficando cada
vez mais claro. Penso que ele deverá ser baseado em três princípios
básicos, cinco mandamentos e dez regras gerais.
Primeiro: Os princípios básicos de uma ética
mundial serão:
a) Não fazer ao próximo o que você não quer que faça a você mesmo. Este é um princípio muito
antigo, ditado por Confúcio e repetido
por Jesus Cristo.
b) O relacionamento humano deve ter como base; a
liberdade, a igualdade e a fraternidade. Esta é a base dos direitos humanos
aprovados pela ONU em 20 de junho de 1945.
c) Há de se estabelecer e respeitar os direitos
internacionais dos animais e da natureza. É preciso convencer a humanidade da
superioridade dos animais e da natureza, uma vez que eles sobreviverão sem o
homem ao passo que o homem não poderá viver sem eles.
Segundo: Os cinco mandamentos de uma ética
mundial serão:
a) Não matar. Mas aí cabe uma
interpretação mais ampla, não se deve torturar ou infligir dor ao outro.
b) Não mentir, que inclui não
enganar e não levantar falso testemunho, mas agir sempre de maneira veraz.
c) Não roubar, não cometer
corrupção, não falsificar, mas agir de maneira honesta.
d) Não abusar da sexualidade, há
que manter o respeito mútuo. Homem e mulher têm direito à igualdade.
e) Não contestar e nem insinuar
dúvidas quanto aos princípios básicos da ética mundial. Eles deverão ser
considerados como o tripé de sustentabilidade da ética e como tal aceitos como
um dogma sagrado.
Terceiro: As dez regras gerais
para uma ética mundial:
Primeira Regra: Os critérios de
reconhecimento de um estado independente serão aprovados por um órgão
internacional (a ONU é um bom modelo a ser seguido para o reconhecimento de um
órgão internacional supremo - OIS).
Segunda Regra: Nenhum estado
independente terá o direito de se declarar em estado de beligerância contra
outro estado independente. Todas as questões serão decididas no OIS.
Terceira Regra: Toda a
estrutura mundial se organizará em três Câmaras: Câmara Executiva: Câmara
Legislativa e Câmara Judicial.
Quarta Regra: Os estados
independentes serão divididos em três níveis geográficos: Nível Nacional, Nível
Regional (Estados) e Nível Local
(Municípios).
Quinta Regra: Todo cidadão
tem direito ao emprego, cabendo ao estado prover de meios para que nenhum
cidadão fique ocioso, mesmo os prisioneiros em geral que deverão produzir para
o seu sustento e de sua família.
Sexta Regra: Nenhum estado
independente poderá adotar a pena de morte. Quando a Justiça concluir pela
incompatibilidade de um cidadão, poderá ser aplicada a pena de “ostracismo” com
o isolamento total do indivíduo de seu “habitat” natural.
Sétima Regra: Ninguém será
obrigado a prestar culto a qualquer Deus ou credo religioso. A liberdade de
consciência e expressão será garantida a todo cidadão desde que o faça dentro
das regras do respeito e da tolerância e que não ponha em risco a paz e a
tranqüilidade dos demais e nem ameace a segurança do estado. Cada um responderá
diante da justiça pelo que afirmar ou praticar, não havendo imunidade para
nenhum cidadão. Realmente todos serão iguais diante da lei.
Oitava Regra: O cidadão
poderá se unir em Associações filantrópicas, religiosas, recreativas, culturais
e outras, porém fica vedado ao estado
investir nestas associações, devendo elas serem mantidas pelos próprios
associados e prestar relatórios periódicos aos órgãos de defesa dos direitos
humanos.
Nona Regra: Toda a
estrutura do estado, em todos os níveis deverá primar pela transparência,
simplicidade e eficiência. As arrecadações a favor do estado serão sempre em
função de produção, ficando impedido qualquer tributo sob as importâncias
distribuídas aos cidadãos em conseqüência de serviço prestado, quer privado ou
público.
Décima Regra: Não poderá haver impunidade para a
quebra destes princípios, mandamentos e
regras gerais. A Lei deverá ser rigorosa e a justiça ágil em fazer cumprir as
normas punitivas. Não se admitirá Juízes inexperientes. O cidadão para exercer
a função de Juiz terá que passar por um bom período probatório de defensor das
Leis de defesa do cidadão, dos animais e da natureza e só depois de aprovado
nas teorias da filosofia e do direito deverá
ser eleito por um Conselho de Juízes do nível de um Supremo.
Claro que isso
tudo depende de um longo processo educacional, que deve começar cedo, com as
crianças na escola. Eu sei que a maioria considera uma insanidade, tais
propostas, mais estou convencido de que o Criador nos colocou no universo para
dominá-lo e transformá-lo no paraíso que está dentro de todos nós. Pode não ser
este o melhor modelo, estas as melhores regras, mas que já é tempo de levantar
esta discussão, não resta a menor dúvida, pois se assim não o fizermos o
criador com todos os seus anjos e arcanjo levantará e nos imporá uma solução
através da dor e da tragédia.
Conclusão:
Uma Ética Mundial conseguiria conciliar as diversas
expressões religiosas e ideológicas, criando possibilidades para o surgimento
de uma moral onde todos viveriam em solidariedade e respeito mútuo,
permanecendo cada um fiel ao seu pequeno tanque?
O pensamento niilista nos desafia a
rever, conceitos e princípios milenares a fim de que possamos nos preparar para
o ingresso em uma nova ordem mundial
neste terceiro milênio. O ingresso nessa nova ordem só terá sentido e
contribuirá para a evolução da humanidade se for conseguida por meios éticos,
pacíficos e solidários. Daí a importância de refletir sobre os princípios
éticos que tem conduzido o homem em seus diversos relacionamentos
A partir deste conceito vamos
considerar o seguinte:
O homem não é só instinto. O homem é também pulsão. Talvez
seja o único ser vivo animado sujeito a erro. Não é meu papel aqui questionar o
porquê, mas por isto mesmo o psíquico humano precisa de toda uma estrutura e
uma série de complexidade para se ordenar. O que rege a ordem psíquica é a LEI
do PAI, razão desse salto singular do homem, da natureza para a cultura.
Portanto, qualquer agrupamento social, por mais simples que seja, exige regras,
normas de conduta, LEIS. Precisamos sair do lugar onipotente, de pensar que
somos grandes, porque temos leis. Temos leis, porque somos menores.
Assim, cada cultura, em cada tempo, motivada pelo seu
instinto natural e comum a todos os humanos
institui suas leis escritas, formando seu ORDENAMENTO JURÍDICO. Nesta
ordem jurídica está o Direito. Direito à vida, à morte. O Direito e o Errado.
Em cada cultura o Direito é normatizado de acordo com a sua ÉTICA. O Direito
não é aquilo que É, mas aquilo que deve ser.
Eu penso que o processo da
globalização não tem como ser revertido, mas pode sim, ser mudado. Acredito na
mudança da consciência. Um exemplo concreto é que, há alguns anos, não se
falava em combater o fumo, prática comum em todos os lugares, inclusive em aviões. Hoje, já não
é assim. Então, entendo que há como direcionar a globalização, mesmo que seja
um processo lento. Começa com poucas pessoas, depois a ideia se difunde entre
cientistas, repercute entre educadores, cresce mais e mobiliza políticos.
Depois acontecem as transformações na esfera legal, concretizando a visão que,
inicialmente, era de poucos. Segundo algumas informações recentes o projeto da
ética mundial já está em discussão na
Alemanha, Suíça e na Áustria. Cabe a cada um de nós irmos lançando a nossa luz
por menor que pareça. Cristo disse que o Reino dos Céus é como uma pequena
semente, que se lançada em boa terra, germina, cresce e dá muitos frutos. Por
isso, se desejamos contribuir para o bem da humanidade não podemos nos
esmorecer e, principalmente se estamos comprometidos com o Cristo, pois ele não
desistiu, foi fiel a sua missão até a morte de cruz, a mais humilhante de todas
as mortes. Que Deus nos ilumine e nos revele caminhos para que a humanidade
possa encontrar com o seu destino em breve e assim o Cristo voltará em glória
como prometeu. (P/AViS-20/04/2010).
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