Sobre a Reencarnação
1- Alguns Conceitos:
Reencarnação é uma idéia central de diversos sistemas
filosóficos e religiosos, segundo a qual uma porção do Ser é capaz de subsistir
à morte do corpo. Chamada consciência, espírito ou alma, essa porção seria
capaz de ligar-se sucessivamente a diversos corpos para a consecução de um fim
específico, como o auto-aperfeiçoamento ou a anulação do carma
Reencarnação significa a volta do Espírito à vida
corpórea, mas num outro corpo, sem qualquer espécie de ligação com o antigo.
Usa-se também o termo Palingenesia, proveniente de duas palavras gregas —
Palin, de novo; genesis, nascimento. Conceito professado pelo espiritismo no
Brasil e diversas religiões orientais. Trata-se de assunto polêmico, como
também é contraditório a encarnação, discutidos desde os primórdios por
filósofos, religiosos e livres pensadores.
Metempsicose
- do grego metempsykhosis, embora empregada no mesmo sentido da reencarnação,
tem um significado diferente, pois supõe ser possível a transmigração das
almas, após a morte, de um corpo para outro, sem ser obrigatoriamente dentro da
mesma espécie. Ou seja, a alma que atingiu a fase humana poderia reencarnar em
um animal. Usa-se as vezes o termo metensomatose, uma vez que haveria na
realidade, mudança de corpo (soma) e não de alma (psykhe).
Ressurreição
- do lat. ressurrectione - significa ato ou efeito de ressurgir, ressuscitar.
Segundo o Catolicismo e o Protestantismo, retorno à vida em um corpo transformado (Conferir 1º Coríntios
capítulo 15 – Bíblia Cristã – Novo Testamento – ensinamento do apóstolo Paulo –
adotado pelos católicos, ortodoxos e protestantes em geral).
O apóstolo Paulo trata do assunto, quando escreve aos
coríntios (1 Corintios capítulo 15). Vejamos algumas afirmações que ele faz:
“{...} se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos
os homens. Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi as primícias dos que
dormem. {...} Mas alguém dirá: como ressuscitarão os mortos? E com que corpo
virão? Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer...
{...} Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia corpo em corrupção;
ressuscitará em
incorrupção. Semeia-se em ignomínia ressuscita em glória. Semeia-se
em fraqueza ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo
espiritual. Se há corpo animal há também corpo espiritual.”
Vale a pena ler e refletir sobre este capítulo, ele dá muita
luz sobre o assunto apesar da sua complexidade.
2. REENCARNAÇÃO E RESSURREIÇÃO
A confusão entre o conceito de ressurreição e o de
reencarnação é porque os judeus tinham noções vagas e incompletas sobre a alma
e sua ligação com o corpo. Por isso, para alguns judeus, a reencarnação fazia
parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição. Eles acreditavam que um
homem que viveu podia reviver, sem se inteirarem com precisão da maneira pela
qual o fato podia ocorrer.
Os adeptos do princípio da reencarnação entendem que ela atende melhor os princípios
da justiça divina e reflete melhor a revelação. Dessa forma, a lei de
reencarnação elucida todas as anomalias e faz com que Deus deixe sempre uma
porta aberta ao arrependimento. E para isso, Deus, na sua infinita bondade,
permite encarnar tantas vezes quantas forem necessárias ao aperfeiçoamento espiritual, utilizando-se
deste e de outros orbes disseminados no espaço. Esta é uma opinião copilada de
registros espíritas com base nos ensinos kardecistas.
Os que se opõem a reencarnação alegam que ela não contribue
para a evolução do homem nem espiritual e nem materialmente uma vez que as
pessoas não trazem para a vida presente as lembranças das vidas passadas,
gerando ainda a idéia da irresponsabilidade com o presente tendo em vista que a
vida não passa de um mero treinamento para o futuro, quando qualquer falha ocorrida
agora poderá ser corrigida.
3. FINALIDADE DA ENCARNAÇÃO
a) Expiação —
Expiar significa remir, resgatar, pagar. A expiação, em sentido restrito
consiste em o homem sofrer aquilo com que ele fez os outros sofrerem,
abrangendo sofrimentos físicos e morais, seja na vida corporal, seja na vida
espiritual.
A palavra expiação encontra-se poucas vezes na Bíblia, mas o
conceito da expiação constitui o assunto principal do Antigo e do Novo
Testamento. Palavras mais conhecidas como reconciliação, propiciatório,
sangue, remissão de pecados e perdão estão diretamente relacionadas com esse
tema.
Todo israelita sabia que: "aos dez deste mês sétimo,
será o Dia da Expiação" (Levítico 23:27). Havia sacrifícios diários
pelo pecado, mas esse era um dia especial, de santa convocação.
Aprendemos em Levítico 16 que o Sumo Sacerdote: se purificaria com água;
vestiria suas vestes santas de linho; mataria um novilho para fazer expiação por si
e pela sua família; tomaria uma vasilha de brasas do altar e entraria no Santo
dos Santos para que a nuvem de incenso cobrisse o propiciatório, que era o
lugar da expiação, da propiciação e da reconciliação; sairia, tomaria o sangue
do novilho, entraria pela segunda vez no lugar santo com o sangue e o
aspergiria sete vezes sobre o propiciatório e diante dele; mataria o bode para
a oferta pelo pecado, ultrapassaria o véu pela terceira vez e faria com o
sangue como tinha feito com o sangue do novilho; faria expiação pelo lugar
santo e pelo altar do holocausto; imporia as mãos sobre a cabeça do bode vivo,
confessaria os pecados do povo e enviaria o bode para o deserto; e tiraria as vestes de linho, iria lavar-se,
poria outra roupa e ofereceria um holocausto por si e pelo povo.
Esse dia era muito importante, santo e de grande atividade
porque os pecados de Israel eram expiados por meio de sangue. Já que "é
impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados" (Hebreus
10:4), esse ritual devia repetir-se a cada ano (Levítico 16:34) até aquele dia
grandioso em que Cristo
seria "oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos"
(Hebreus 9:28).
b) Prova — Em
sentido amplo, a nossa existência
corporal é uma prova para o espírito que vem de Deus. A prova, às vezes,
confunde-se com a expiação, mas nem todo sofrimento é indício de uma
determinada falta. Trata-se freqüentemente de simples provações destinadas a
promover o crescimento emocional e espiritual de cada indivíduo. A provação,
além de ser uma oportunidade de crescimento e de testemunho pode também ter um
sentido de expiação, é
sempre uma prova mas a prova nem sempre é uma expiação. Lembrar que a
verdadeira expiação foi feita pelo Cristo na Cruz do Calvário. Esta foi uma
expiação universal o que não impede de cada um colher aquilo que semeia, ou
seja, ser premiado pelo bem e expiar o mal que pratica.
c) Missão — A
missão é uma tarefa a ser cumprida pelo espírito através de nós que somos
instrumentos de sua ação neste planeta e, possivelmente em outros planetas onde
a inteligência pode ter desenvolvido. Em sentido particular, cada espírito
desempenha tarefas especiais numa ordem determinada pelo Espírito de Deus pela
distribuição de dons e ministérios (carisma e serviço) neste ou em qualquer
região no universo.Temos, assim, a missão dos pais, dos filhos, dos políticos,
dos religiosos, cientistas, dos mestres...
d) Cooperação na Obra
do Criador — Através do trabalho, os homens colaboram com os demais espíritos
na obra da criação. A isto chamamos de
“Planejamento Divino para Promover entre os Homens a Unicidade e a Universalidade
do Mistério da Obra Expiatória de Cristo na Cruz do Calvário”. (É uma nova
teologia para o Século XXI- Leia nossa monografia: “O homem, seus anjos e demônios”).
NB.: Esta cooperação se dá no mundo físico e nas regiões celestes onde
anjos e todos os homens tementes a Deus que já passaram por este planeta se
reúnem na grande congregação que denominamos de “A Grande Egrégora”.
e) Ajudar a
Desenvolver a Inteligência — a necessidade de progresso impele o espírito
às pesquisas científicas e a diversos relacionamentos neste planeta. (Leia
nosso livro: “Novos Paradigmas da Ética” – no prelo com publicação prevista
para janeiro de 2010). Com isso ele vive novas
experiências e agrega os traços identificadores da pessoa com que ele
atua, carregando sua inteligência e sua consciência com a qual ele se
apresentará diante do trono universal onde todas as coisas são reveladas. É
assim que ele também contribui para que o homem possa se desenvolver saindo da
selvageria e alcançando a civilização nos seus diversos níveis. O espírito do homem, que vem de Deus, é
perfeito e deseja que o homem também o seja e se torne imagem e semelhança do
seu criador conforme propõem os escritores bíblicos.
NB.; Esta é uma visão universal
dos objetivos espirituais da encarnação. Não confundir aqui encarnação com
reencarnação. São duas coisas bem distintas. Tanto uma como a outra são
discutidas e aceitas por filósofos e religiosos há muitos milênios.
4. JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO
“A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o
homem muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia da
justiça de Deus com respeito aos homens de condição moral inferior; a única que
pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois
oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A
razão assim nos diz, e é o que os Espíritos ensinam. (Kardec, O Livro dos
Espíritos - 1995, pergunta 171).”
NB: Esta afirmação kardecista não nos parece muito coerente, pois se nascemos aqui sem as lembranças das
vidas passadas, que contribuição elas
poderiam trazer para a vida presente? Qual seria o critério de justiça, eu
pagar por um erro não estando consciente
do mesmo?
5. Argumentos interessantes sobre a Reencarnação:
a) Visão Geral Histórica e Teórica:
A Reencarnação é uma idéia central de diversos sistemas
filosóficos e religiosos, segundo a qual uma porção do Ser é capaz de subsistir
à morte do corpo. Chamada consciência, espírito ou alma, essa porção seria
capaz de ligar-se sucessivamente a diversos corpos para a consecução de um fim
específico, como o auto-aperfeiçoamento ou a anulação do carma.
A reencarnação é um dos pontos fundamentais do Espiritismo,
codificado por Allan Kardec, do Hinduísmo, do Jainismo, da Teosofia, do
Rosacrucianismo e da filosofia platônica. Existem vertentes místicas do
Cristianismo como, por exemplo, o Cristianismo esotérico, que também admite a
reencarnação.
Há referência recentes a conceitos que poderiam lembrar a
reencarnação na maior parte das religiões, incluindo religiões do Egito Antigo,
religiões indígenas, entre outras. A crença na reencarnação também é parte da
cultura popular ocidental, e sua representação é frequente em filmes de
Hollywood. É comum no Ocidente a idéia de que o Budismo também pregue a
reencarnação, supostamente porque o Budismo tenha se originado como uma
religião independente do Hinduísmo. No entanto essa noção tem sido contestada
por fontes budistas.
A crença na reencarnação tem suas origens nos primórdios da
humanidade, nas culturas primitivas. De acordo com alguns estudiosos, a idéia
se desenvolveu de duas crenças comuns que afirmam que:
Os seres humanos têm alma, que pode ser separada de seu
corpo, temporariamente no sono, e permanentemente na morte;
As almas podem ser transferidas de um organismo para outro.
Entre as tentativas de dar uma base "científica" a
essa crença, destaca-se o trabalho do Dr. Ian Stevenson, da Universidade de
Virgínia, Estados Unidos, que recolheu dados sobre mais de 2.000 casos em todo
o mundo que evidenciariam a reencarnação. No Sri Lanka (país onde a crença é
muito popular), os resultados foram bem expressivos.
Segundo os dados levantados pelo Dr. Stevenson, os relatos
de vidas passadas surgem geralmente aos dois anos de idade, desaparecendo com o
desenvolvimento do cérebro. Uma constante aparece na proximidade familiar,
embora haja casos sem nenhum relacionamento étnico ou cultural. Mortes na
infância, de forma violenta, aparentam ser mais relatadas. A repressão para
proteger a criança ou a ignorância do assunto faz com que sinais que indiquem
um caso suspeito normalmente sejam esquecidos ou escondidos.
Influências comportamentais (fragmentos de algum idioma,
fobias, depressões etc) podem surgir, porém a associação peremptória desses
fenômenos com encarnacões passadas continua a carecer de fundamentação
científica consistente, sendo mais facilmente atribuíveis a outros fatores.
b) Reencarnação e Cristianismo:
Diversos estudiosos espíritas e espiritualistas defendem
que, durante os seis primeiros séculos de nossa era, a reencarnação era um
conceito admitido por muitos cristãos. De acordo com eles, numerosos Padres da
Igreja ensinaram essa doutrina e apenas após o Segundo Concílio de
Constantinopla, em 553 d.C., é que a reencarnação foi proscrita na prática da
igreja, apesar de tal decisão não ter constado dos anais do Concílio. Afirmam
ainda que Orígenes (185-253 d.C.), que influenciou bastante a teologia cristã,
defendeu a idéia da reencarnação, além dos escritos de Gregório de Nisa (um
Bispo da igreja Cristã no século IV) entre outros, e passagens do Novo
Testamento, como Mateus 16:13-14 e 19:28 ("regeneração", grego
'pale-genesia' literalmente, renascimento) entre outras, são vistas por adeptos
da reencarnação como evidência de que ela era doutrina aceita no Cristianismo primitivo.
Entretanto, tais afirmativas carecem de fundamentação
histórico-documental. Por isso, os teólogos cristãos não só se opõem à teoria
da reencarnação, como, também, à idéia de que ela era admitida pelos cristãos
primitivos. Argumentam que não há referências na Bíblia, nem citações de outros
Padres da Igreja, e que as próprias afirmações de Orígenes e de Gregório de
Nisa aduzidas pelos estudiosos espíritas e de outras crenças espiritualistas,
não são por aqueles citadas senão para as refutarem. Por outro lado, com base
na análise da atas conciliares do Concílio de Constantinopla, constatam que os
que ali se reuniram sequer citaram a doutrina da reencarnação - fosse para a
afirmar ou para a rejeitar. Contra a reencarnação ainda cita-se Hebreus 9:27, o
episódio dos dois ladrões na cruz, em Lucas 23:39-44 e parábola do rico e
Lázaro, em Lucas 16:19-31. Desta sorte, as afirmações recentes que tendem a
vincular a reencarnação à Bíblia, aos pais da Igreja ou aos Concílios, são
destituídas de fundamentação histórico-documental. Não passam, na verdade, de
meras tentativas de induzir o vulgo a algo que, historicamente, não pode ser
provado.
Tanto a Igreja Católica como os Protestantes em geral
denunciam a crença na reencarnação como herética, baseando essa conclusão da
própria Bíblia e dos Padres da Igreja defensores da Ortodoxia. O Cristianismo
Esotérico, por outro lado, admite e endossa abertamente a reencarnação - que é,
inclusive, um dos pilares de sua doutrina. Entretanto, é bom ressaltar: tal
esoterismo é obra recente, ainda que possa buscar alguma justificação nas
opiniões de antigos gnósticos. Suas teses reencarnacionistas, portanto,
independentemente de serem corretas ou não, não encontram apoio na tradição
judaico-cristã. Constituem, na verdade, importações de outras tradições, tal
como o Hinduismo, por exemplo. Aliás, é oportuno dizer que existem atualmente
defensores da idéia de que a reencarnação tinha adeptos no antigo judaismo. Mas
eles enfrentam o mesmo problema: não existe qualquer fonte antiga confiável que
ateste a crença na reencarnação no judaismo antigo. Não encontramos tais
informações, por exemplo, nas obra de Filão de Alexandria (25 a. C. e 50 d. C.). Este
autor, contemporâneo de Jesus, ocupou-se de aproximar a filosofia helenística
da mentalidade judaica. Concebeu a encarnação do logos em personagens como
Abraão, Isaque, Jacó, Moisés etc e a possibilidade de se incorporar a alma
individual na grande alma universal. Mas, em momento algum noticiou a crença da
reencarnação entre os judeus. Uma outra
fonte a ser consultada seria Flávio Josefo, especialmente em sua obra
“Antiguidades Judaicas”, escrita por volta dos anos + 90 dC. Nem nesta nem em
nenhuma de suas obras menciona a
presença da reencarnação entre os judeus. Estes são, apenas, exemplos de
autores antigos que não mencionaram a presença da reencarnação no judaismo.
c) Reencarnação e Ciência:
A crença na sobrevivência da consciência após a morte é
comum e tem-se mantido por toda a história da humanidade. Quase todas as
civilizações na história tem tido um sistema de crença relativo à vida após a
morte. Cientificamente, entretanto, inexiste qualquer motivo para sustentar a
hipótese.
As investigações científicas sobre assuntos relacionados ao
pós-morte remontam particularmente ao século XIX, e, embora continuem a ser
motivo de intenso debate entre leigos, não mais despertam interesse sério na
comunidade acadêmica.
A objeção mais óbvia à reencarnação é que não há nenhum
processo físico conhecido pelo qual uma personalidade pudesse sobreviver à
morte e se deslocar para outro corpo. Mesmo adeptos da hipótese como Stevenson
reconhecem esta limitação.
Outra objeção é que a maior parte das pessoas não relembram
vidas prévias. Além disso, estatisticamente, cerca de um oitavo das pessoas que
"lembram" de vidas prévias se lembrariam de ter sido camponeses
chineses; mas, entre os que se "lembram", a maioria lembra de
situações sociais menos triviais e mais interessantes.
Alguns céticos explicam que as supostas evidências de
reencarnação resultam de pensamento seletivo e falsas memórias comumente
baseadas nos sistemas de crença e medos infantis dos que as relatam.
Acrescenta-se, por último, que a reencarnação é, no fundo,
objeto de crença dos fiéis de determinados segmentos religiosos, da mesma forma
que o é a ressurreição em outros segmentos religiosos. A ciência, como se sabe,
não se presta para provar ou não a reencarnação ou a ressurreição. E isto
porque, entre outros argumentos, a ciência se faz sobre um determinado recorte
da realidade que pode ser provado, demonstrado, testado etc. Ressureição e
reencarnação são coisas que ultrapassam eventuais demonstrações, indo aportar
nos mares da fé, da crença, o que não significa necessariamente qualquer falta
de mérito de qualquer uma delas, senão que se limitam ao campo da fé.
d) Experiências de quase morte:
Estudos realizados em hospitais entre sobreviventes a
paradas cardíacas aonde se observou o fenômeno conhecido como "experiência
de quase-morte", incluindo os do cardiologista holandês Pim Van Lommel, demonstram
achados que são compatíveis com fenômenos neurológicos causados pela hipóxia
(falta de oxigênio no cérebro) em pacientes nos quais a morte encefálica não
foi comprovada, por medicações como a quetamina ou pela indução de hipóxia
cerebral por alta gravidade, incluindo visão em túnel, comunhão com entidades
espirituais e saída do corpo, podendo ser considerados como alucinações.
Cientistas e médicos relatam inúmeras experiências de quase-morte que sucederam
em situações operatórias onde os pacientes estiveram em período de
"inconsciência" (estado alterado de consciência, induzido por
anestésicos que incluem a ketamina) ou reanimados após parada cardíaca, onde há
redução da atividade cerebral, mas sem demonstração de ausência da mesma (mesmo
a ausência de atividade eletroencefalográfica, ou eletroatividade, não é
considerada fidedigna de ausência de atividade cerebral. Mesmo assim, esses
relatos anedóticos são freqüentemente utilizados como justificativa de que não
seria possível que a experiência de quase morte fosse, portanto, originada em
quaisquer funções biológicas ou quimíco-eléctricas e de que a consciência
sobreviveria à morte do corpo físico.
e) A Visão dos Céticos:
Céticos criticam tais estudos de casos, por melhor descritos
que sejam, por serem evidências anedóticas coletadas retrospectivamente, além
de não eliminarem a possibilidade de fraude. De fato, normalmente não há
controle contra a fraude, porém os reencarnacionistas apontam que existem
características típicas de tais casos que seriam difíceis de serem fraudadas,
tais como os defeitos e as marcas de nascimento, e as fobias demonstradas pelas
crianças. No entanto, tais casos são descritos retrospectivamente - uma fobia
específica, determinada marca de nascença ou preferências pessoais, são
explicadas encontrando-se relatos de pessoas que morreram de determinada forma,
tiveram algum tipo de lesão ou tinham determinadas preferências. Como qualquer
fobia pode ser relacionada a alguma pessoa que já apresentou morte pelo objeto
da mesma, não há nenhum local do corpo onde se possa ter uma marca de nascença
que alguém não tenha se ferido e preferências pessoais não são exclusivas, para
eles, tais relatos não teriam grande valor científico.
Tais céticos são contestados pelos estudiosos da reencarnação
sob o argumento de que Relato de Casos Anedóticos não é a mesma coisa que
Estudo de Casos científicos. E simples Estudo de Casos não é a mesma coisa que
Estudo de Casos com Tentativa de Controle de Variáveis Envolvidas e Tentativa
de Avaliação Quantitativa. Os estudos CORT (Cases of Reincarnation Type – Casos
do Tipo Reencarnação) não estariam incluídos na primeira categoria (que é a
mais fraca), nem na segunda (de força mediana). Eles fariam parte do terceiro
grupo, que possui força bem superior: Estudo de Casos com Tentativa de Controle
de Variáveis Envolvidas e Tentativa de Avaliação Quantitativa.
Recentemente, o cético Richard Wiseman tentou reproduzir as
demais características dos CORTs por meios normais, sem sucesso. Nas palavras do pesquisador Jim Tucker, o
estudo de Wiseman “demonstra que coincidência fracassa em explicar partes
importantes dos casos, embora sua intenção tenha sido mostrar o oposto”. Tucker
considera também que tal estudo demonstra que a fraude não pode ser aplicada
aos casos resolvidos com registros escritos antes das verificações. Além disso,
já foi possível fazer testes controlados numa minoria desses casos. Tucker cita
dois desses casos no seu livro Life Before Life (2005): o de Gnanatilleka
Baddewithana e o de Ma Choe Hnin Htet, e argumenta que tais casos enterrariam
de vez as críticas dos céticos de que a fraude ou a coincidência seriam
explicações razoáveis para os CORTs.
Alguns críticos também argumentaram que casos de
reencarnação não são particularmente interessantes por causa da possibilidade
que eles podem ter sido embelezados quando a família da criança entra em
contato com a família da personalidade prévia antes da documentação das
memórias de renascimento da criança ter sido feita, aumentando a possibilidade
que o câmbio de informação entre as duas famílias possa ser o responsável para
as memórias detalhadas da criança, e não reencarnação (por fraude e/ou falsas
memórias). Esta hipótese, embora plausível em alguns casos, foi rejeitada pelo
outro avanço principal na pesquisa de reencarnação, o de localizar casos em que
documentação é feita antes de tentar achar a família da personalidade prévia, o
que não impede necessariamente fraudes ou simples coincidências. Embora seu
número seja pequeno (apenas 33 dos 2.500 na coleção da Universidade de
Virginia), tais casos parecem fornecer um argumento mais forte a favor da
reencarnação. O Dr. Stevenson (1974) foi um dos primeiros a localizar casos
como estes, e outros independentemente foram encontrados por Mills, Haraldsson,
e Keil (1994), e mais recentemente por Keil e Tucker (2005). (Vale a pena ler o livro “A Face Oculta da
Mente – Padre Quevedo – Edições Loyola – 1966, e conhecer o trabalho de Joseph
Banks Rhine – americano e de Robert Amadou - francês).
6. Conclusão:
Em vista de estudos e pesquisas que eu pessoalmente realizei
no final da década de cinqüenta e início da de sessenta (1956 – 1962), segui a
linha de pensamento contrário à doutrina da reencarnação.
Um fato que me chamou a atenção foi de que a essência da
doutrina de Cristo não está tão clara no que diz respeito a vida futura. Apesar
do Cristo assegurar a existência de vida após a morte, prometendo inclusive a
reserva de mansões para os seus fieis, ele nunca foi muito claro com relação ao
estilo de desdobramento da vida após a morte.
Também a meu ver, a reencarnação entra em choque com a
afirmação profética e filosófica da responsabilidade pessoal do ser humano, que
neste caso não passaria de protótipos ou maquetes provisórias que são
descartadas para no final produzir um homem perfeito. Este homem (produto
final) responderia por todas as vidas passadas?
Após longos anos de estudos de Yoga, Rosa Cruz, Misticismo
em diversas escolas, Espiritismo, Hipnose e outras manifestações afins e
comparando tudo isto com os princípios
usualmente aceitos pela teologia cristã, encontrei mais luz no
cristianismo protestante apesar de todas as mazelas históricas de seus
seguidores, o que não falta também em todas as corrente filosóficas e
religiosas que alcançaram alguma hegemonia dentro do processo do progresso
humano, principalmente na política.
O que penso e escrevo hoje é que todos estes sistemas estão
em plena decadência e que os seus seguidores e principalmente a liderança
mundial não tomou consciência ainda do novo mundo que está nascendo para o
terceiro milênio, a partir da década de oitenta principalmente, cujo marco
histórico no futuro, salvo melhor juiz, deverá ser a queda do muro de Berlim. Acredito que a globalização nos levará a uma
ética mundial que permitirá a convivência respeitosa e até solidária entre
todos estes pensamentos.
Contudo acredito na sobrevivência do que denomino de “Plano
Salvífico” ou seja a “UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE DO MISTÉRIO DA OBRA
EXPIATÓRIA DE CRISTO NA CRUZ DO CALVÁRIO” como dado perene da sobrevivência da
igreja como sinal da “verdade libertadora”
de Jesus Cristo visto e aceito como Filho de Deus, Senhor e único
salvador, que no evento da encarnação, morte e ressurreição realizou a história
da salvação, a qual tem n’Ele a sua plenitude e o seu centro.
Crer nisso me traz muita paz e segurança para acreditar no
futuro do homem, alvo primeiro de toda a
preocupação do “Deus Altíssimo”, revelada em Jesus Cristo que deu
garantia de que as portas do inferno não prevalecerão contra a sua IGREJA.
Dedico esta mensagem aos meus amigos e irmãos que nos
últimos tempos tem me questionado sobre este assunto. (Inverno/2009).
Seu irmão e servo Ev. Alfredo Vieira.
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